terça-feira, fevereiro 3, 2026
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Céia Maravilha celebra 30 anos de resistência e arte

Ícone da cena LGBTQIA+ catarinense, personagem criada por Maurício Bento ganha baile comemorativo e documentário que resgatam sua trajetória e impacto cultural

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É difícil encontrar alguém no eixo Itajaí–Balneário Camboriú que, ao menos uma vez, não tenha ouvido falar da Céia Maravilha. Criada pelo professor Maurício Bento, a personagem surgiu nas noites LGBTQIA+ do início dos anos 1990 e rapidamente rompeu as fronteiras dos guetos — algo incomum no período, quando a arte drag ainda era vista de forma restrita e periférica.

Neste sábado (13), o Baile da Pentelhuda celebra os 30 anos de trajetória desse ícone catarinense com uma noite especial que inclui o lançamento do documentário “30 anos de Céia”, no Beira Bar Eventos, a partir das 21h.

A presença de Céia marcou gerações. Nas décadas de 1990 e 2000, quando ainda era chamada de Céia Pentelhuda, conquistou espaço em festas particulares, aniversários e casamentos de socialites, além de brilhar em restaurantes sofisticados e nas casas noturnas da então efervescente Barra Sul. De lá para cá, nunca saiu de cena.

Sua carreira se consolidou pelo humor irreverente, performances escrachadas e discursos de resistência que ajudaram a deslocar a figura da drag queen do submundo e inseri-la na cultura mainstream. Em 2025, essa relevância foi reafirmada com uma exposição-museu dedicada às suas três décadas de história, exibindo figurinos, fotografias e memórias de uma personagem que moldou a noite catarinense.

“Quando a minha geração nem sonhava em transgredir e questionar qualquer norma, Céia já estava lá nos dando a voz que usaríamos no futuro. Ela nos abriu os caminhos de um futuro possível. Nós somos porque a Céia foi primeiro”, destaca o multiartista Heleno Rizzih, que dá vida à icônica Déte Pexera. “É uma trajetória para ser reverenciada todos os dias”, completa.

O baile comemorativo promete um revival das concorridas festas LGBTQIA+ dos anos 1980, quando a sigla ainda era limitada a quatro letras e a revolução cultural estava apenas começando. A “pistinha fervendo”, como Céia descreve, receberá drags que a acompanharam desde o começo, além de artistas de novas gerações que vêm renovando a cena.

“A proposta é celebrar a arte, a diversidade e a memória da cena LGBTQIA+, reunindo antigos admiradores, novas gerações e interessados na história e cultura local”, afirma Joá Bittencourt, produtor e cofundador do Coletivo Epicena.

Ele destaca que transformar a carreira de Céia em documentário é um ato de preservação de memória. “A produção cultural tem um viés de identidade, vital para reconhecer trajetórias LGBTQIA+ que muitas vezes ficam à margem da história oficial. O documentário reafirma a arte drag como expressão, crítica e celebração, conectando passado e presente por meio de festa, arte e convivência.”

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