quarta-feira, fevereiro 4, 2026
InícioNotíciasMais de 34 mil crianças vivem como casadas no Brasil

Mais de 34 mil crianças vivem como casadas no Brasil

IBGE alerta para número alarmante de uniões precoces, consideradas nulas pela legislação

- Anúncio -

Mesmo proibido por lei, o casamento infantil ainda é uma realidade preocupante no Brasil. Dados do Censo 2022, divulgados pelo IBGE, mostram que mais de 34 mil crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos vivem em algum tipo de união conjugal. Desse total, 77% são meninas, o que revela o impacto desproporcional da prática sobre o público feminino.

O Código Civil brasileiro estabelece que o casamento só é permitido a partir dos 16 anos, com autorização dos pais ou responsáveis. Qualquer união envolvendo menores de 16 é nula, sem validade jurídica, e pode configurar crime de estupro de vulnerável, conforme o artigo 217-A do Código Penal. Além de ser uma violação de direitos humanos, o casamento precoce interrompe a infância e impõe papéis adultos a meninas que ainda não têm maturidade emocional ou física para tal.

A servidora da Coordenação da Infância e Juventude do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Deiza Carla Medeiros Leite, explica que essas uniões representam uma forma de violência de gênero. “O casamento precoce restringe a liberdade e a autonomia das meninas. Muitas vezes, envolve coerção, dependência econômica ou pressões familiares e culturais”, afirma.

Estudos do Unicef e do IBGE apontam que meninas casadas antes dos 18 anos têm maior probabilidade de abandonar a escola, engravidar precocemente e viver em situação de vulnerabilidade social. O impacto se estende à saúde física e mental, com riscos maiores de morte materna, complicações na gravidez e isolamento social.

O Brasil é signatário de acordos internacionais, como a Convenção sobre os Direitos da Criança e a Agenda 2030 da ONU, que estabelecem o compromisso de eliminar o casamento infantil até 2030. No país, a Política Nacional de Enfrentamento à Violência contra Crianças e Adolescentes e o Plano Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil tratam o tema como uma violação grave de direitos.

Para combater a prática, o Judiciário e instituições públicas têm desenvolvido ações de prevenção e conscientização. No Distrito Federal, a Coordenação da Infância e Juventude (CIJ) implementa projetos de educação cidadã, capacitação e apoio a meninas em situação de risco. Campanhas como o Maio Laranja reforçam a importância de denunciar e combater toda forma de violência infantil.

O enfrentamento ao casamento infantil exige ações integradas e contínuas — envolvendo escolas, famílias, poder público e sociedade — para garantir que meninas possam crescer com liberdade, dignidade e oportunidades.

POSTAGENS RELACIONADAS
- Anúncio -

Mais Visitados

- Anúncio -