quarta-feira, fevereiro 4, 2026
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Cresce contratação de pessoas com deficiência no mercado formal de SC

Estado registra aumento de 14,4% entre 2022 e 2024, acima da média nacional e regional

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Santa Catarina teve um aumento de 14,4% na inclusão de pessoas com deficiência (PCDs) no mercado de trabalho formal entre 2022 e 2024, segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS). O percentual é superior ao registrado no Sul do país (9,8%) e também à média nacional (11,8%). Em números absolutos, o crescimento significa 4.325 novos postos de trabalho ocupados por pessoas com algum tipo de deficiência, passando de aproximadamente 30 mil em 2022 para 34.357 em 2024.

O avanço, embora positivo, ainda é tímido frente à realidade de milhares de pessoas com deficiência que seguem fora do mercado. A maior parte das contratações se concentra nas indústrias (46,8%) e no setor de serviços (31,4%). O comércio emprega 19%, enquanto construção civil e agropecuária somam pouco mais de 2% juntos.

Foto: Arquivo / SECOM

O Estado atribui parte desse resultado ao programa “Gente Especial”, lançado em 2024 e executado pela Fundação Catarinense de Educação Especial (FCEE). A proposta regulamenta repasses financeiros a 241 instituições que atendem cerca de 29 mil educandos com deficiência, buscando ampliar a formação e facilitar o acesso ao mercado de trabalho. Apesar disso, os dados mostram que ainda são as empresas públicas que mais abriram novas vagas proporcionalmente: a administração pública teve aumento de 25% no número de contratações no primeiro bimestre de 2025, conforme dados do Novo Caged.

Entre os contratados em fevereiro deste ano, 70% eram brancos, 59% homens, a maioria com ensino médio completo. As deficiências mais comuns foram física (29,3%) e intelectual (24,1%).

A Lei de Cotas (nº 8.213/1991) exige a contratação de PCDs por empresas com mais de 100 funcionários. No entanto, o cumprimento dessa obrigação legal ainda enfrenta entraves, como a falta de acessibilidade nos locais de trabalho e a pouca oferta de formação profissional adequada. O programa estadual PROEP, por exemplo, atende cerca de 1.500 jovens e adultos com autismo ou deficiência intelectual, oferecendo capacitação para o mercado formal em 88 instituições.

Santa Catarina foi pioneira no país ao criar, em 1968, a FCEE, primeira fundação estadual dedicada à educação especial. Mais de cinco décadas depois, o número crescente de contratações formais de PCDs é um indicativo de avanços. Mas também deixa claro que a luta por mais inclusão, respeito à diversidade e igualdade de oportunidades ainda está longe de ser concluída.

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