Consórcio da paz busca troca de informações e ações conjuntas para conter o avanço das facções
A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP-SC) e as forças de segurança de Santa Catarina reforçaram o monitoramento de possíveis desdobramentos da megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro contra grupos criminosos. O objetivo é evitar que integrantes de facções tentem se refugiar em território catarinense.
Segundo o secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Flávio Graff, o acompanhamento desses movimentos já ocorre há anos devido à migração constante de criminosos entre estados. “Quando as pesquisas destacam que Santa Catarina é o Estado mais seguro do país, certamente estão se referindo a pessoas de bem, não a criminosos. Realizamos aqui um trabalho de contenção das facções que tentam adentrar ao Estado, atuando na identificação, no monitoramento e no combate. Essa ação já resultou em diversas prisões de faccionados, incluindo integrantes do Comando Vermelho, alvo da operação fluminense. A situação em Santa Catarina está sob controle”, afirmou o coronel.
Graff destacou ainda que a SSP-SC, em conjunto com as forças policiais, está preparada para agir de forma rápida e manter os baixos índices de criminalidade no Estado. Ele reforçou que Santa Catarina mantém um intercâmbio permanente com forças de segurança de outros estados, o que fortalece o trabalho preventivo e integrado.
Polícia Militar reforça vigilância nas fronteiras
A Polícia Militar de Santa Catarina (PMSC) também intensificou o acompanhamento de possíveis deslocamentos de criminosos. “Estamos em monitoramento contínuo nas fronteiras do território catarinense, principalmente nas estradas vicinais, para evitar a entrada ou a fuga de criminosos para Santa Catarina”, afirmou o comandante-geral da corporação, coronel Emerson Fernandes.
Polícia Civil aposta na inteligência e tecnologia
A Polícia Civil tem atuado com foco em operações de inteligência para prevenir a migração de facções criminosas. O delegado-geral Ulisses Gabriel explicou que o Estado tem mapeado e monitorado as facções que atuam em território catarinense. “Identificamos lideranças, realizamos prisões e movimentações para sistemas prisionais mais duros, com regime disciplinar diferenciado”, disse.
Ulisses destacou ainda que “em Santa Catarina não há território onde o Estado não esteja presente”, comparando com o cenário do Rio de Janeiro, onde facções dominam áreas específicas. “Aqui temos todos os territórios sob controle. A diferença é que no Rio de Janeiro, eles criaram feudos com poder bélico e econômico, explorando a economia local”, completou.
A Polícia Civil tem investido mais de R$ 95 milhões em ações de combate à criminalidade, com destaque para a criação do Cyber Laboratório e a aquisição de 440 novos fuzis israelenses. Segundo o delegado-geral, “o bloqueio de bilhões em patrimônio é uma das principais formas de enfraquecer financeiramente as organizações criminosas”.
Sistema prisional sob controle
A Secretaria de Estado de Justiça e Reintegração Social (Sejuri) e a Polícia Penal também acompanham os desdobramentos da operação no Rio de Janeiro. Até o momento, o sistema prisional catarinense permanece estável, sem reflexos diretos das ocorrências fluminenses.
Cooperação entre estados e combate internacional
O governador Jorginho Mello participou, nesta quinta-feira (30), de uma reunião no Rio de Janeiro com governadores das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste para discutir estratégias conjuntas contra o crime organizado. O encontro resultou na criação do “Consórcio da Paz”, que visa integrar os estados no combate às facções.
“O nosso objetivo é defender o cidadão de bem, o pai de família, o mais humilde que está inseguro e com medo. Nós precisamos estar do lado dessas pessoas. A nossa polícia é uma das melhores do Brasil e está à disposição para ajudar a família brasileira onde quer que ela esteja”, disse o governador catarinense.
Jorginho Mello também defendeu que os estados tenham autonomia para lidar com a criminalidade local, com apoio financeiro da União. Segundo ele, “o Governo Federal precisa reforçar o controle das fronteiras e destinar recursos para equipar as forças de segurança”.
Além disso, o governador destacou que o Paraguai deve reconhecer oficialmente o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, decisão que será tomada por decreto do presidente paraguaio Santiago Peña. A medida deve fortalecer o enfrentamento ao crime organizado e às redes de financiamento dessas facções.
O comandante-geral da PM, coronel Emerson Fernandes, e o delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, também acompanharam o governador durante o encontro no Rio de Janeiro.
















